MINISTÉRIO DA CULTURA, PREFEITURA DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO AND SECRETARIA MUNICIPAL DE CULTURA PRESENT

COME AND EXPERIENCE
MANY STORIES.

news

Às vésperas da Bienal do Livro, escritores falam sobre a relação com o evento

13/08/2017 em via O Globo - Bairros

Compartilhe:


A 18ª edição da Bienal irá ocorrer de 31 de agosto a 10 de setembro, no Riocentro

A escritora Thalita Rebouças ao lado de seu cãozinho, Lindão: assídua no evento 


Analice Paron / Agência O Globo

RIO — A cada dois anos, a Barra da Tijuca se transforma no destino certo dos amantes da literatura, com a chegada de mais uma edição da Bienal do Livro. A 18ª edição do evento, que este ano irá de 31 de agosto a 10 de setembro, no Riocentro, terá, como de hábito, sessões de autógrafos, oficinas e palestras. Os escritores participantes já se preparam para a festa. Alguns deles, moradores da região, controlam a ansiedade que o evento sempre lhes causa.

É o caso da escritora Thalita Rebouças, cujo nome é quase sinônimo de Bienal do Livro, responsável, a cada edição, por atrair centenas de jovens fervorosos que formam filas enormes para ganhar um autógrafo ou conversar com ela. Em 17 anos de carreira, ela publicou 22 títulos, alcançando a marca de dois milhões de exemplares vendidos. Suas obras já foram vendidas em mais de 20 países. Autora de sucessos como “Fala sério, mãe!”, “Era uma vez minha primeira vez” e “Uma fada veio me visitar”, atualmente ela divulga seu mais recente romance, intitulado “Confissões de um garoto tímido, nerd e (ligeiramente) apaixonado”.

Ex-moradora da Barra, radicada atualmente em São Conrado, Thalita é um sucesso inegável do mercado editorial. Mas trabalhou duro para conquistar espaço na estante da garotada. Ela conta que tem um grande carinho pela Bienal, e relembra com nostalgia dos tempos em que tinha contrato com uma editora pequena e lutava para chamar a atenção de jovens e crianças.

— Minha vida aconteceu na Bienal, tudo começou lá. Desde 2001, participo todos os anos. Na primeira, ninguém vinha falar comigo. Quer dizer, falavam, sim, mas era para perguntar o preço das coisas, onde estava o Ziraldo, onde era o banheiro, onde era o Bob’s (risos). Eu me lembro de subir na cadeira e colocar peruca rosa, tudo para ver se chamava a atenção. É muito bom olhar para trás e ver que antes eu caçava os leitores, e hoje eu chego e tem sempre uma fila tão grande que nem acredito, mesmo depois de tantos anos escrevendo — conta.

Ela diz que só em 2009 começou a “causar tumulto” no evento:

— Já tinha uns cinco livros nessa época, e as coisas começaram a acontecer. Eu não era youtuber, não era cantora, não era “nada”. Era escritora, só, e tinha muita gente para me ver. Tenho o maior orgulho disso. Em 2011, realmente começou a haver necessidade de ter grade, segurança. Fui proibida de ir durante a semana ao evento, porque era dia de escola. Aos poucos, fomos aprendendo a fazer os encontros de uma forma organizada. Com pulserinha, seguranças. Agora, estou “profissa”.

Em “Confissões de um garoto tímido, nerd e (ligeiramente) apaixonado”, o protagonista, Davi, passa por situações nada fáceis para entender seus próprios sentimentos. Enfática, Thalita afirma que este é o seu livro mais bem escrito.

— É o mais importante e o melhor que eu já fiz. Ele fala sobre descoberta, preconceito, quebra de tabus. Assim como no meu livro anterior, o “Confissões de uma garota excluída, mal-amada e (um pouco) dramática”, eu falo de coisas das quais nunca tinha falado. Só me senti madura o bastante para me aprofundar nesses temas agora, e a resposta do público está sendo incrível. Em um só dia, recebi e-mails de uma psicóloga de 30 anos que trabalha meus livros com adolescentes com problema de aprendizagem, de uma menina de 10 anos que disse que ele foi a melhor experiência literária da vida dela e de uma senhora de 65 anos que me agradeceu por ajudá-la na luta diária contra o preconceito. Nunca tive um retorno tão positivo em relação a um trabalho — conta, orgulhosa, a escritora de 42 anos.

Lucas de Sousa fará uma tarde de autógrafos e bate-papo


Hermes de Paula / Agência O Globo

Thalita trabalha atualmente no roteiro da versão para o cinema do livro “Tudo por um popstar — O filme”, a ser rodado em outubro; e finaliza um musical para o teatro baseado em seu livro “Fala sério, gente!”, que terá produção da atriz Claudia Raia.

— Além de escrever, compus as músicas, ao lado do meu namorado — conta, adiantando que pretende mostrar ao público em primeira mão, na Bienal, o trailer do filme “Fala sério, mãe!”, baseado em seu best-seller e que estreia em dezembro nas salas de cinemas.

A autora marcará presença no evento em diferentes ocasiões: no estande da editora Rocco, estará nos dias 1 e 3 de setembro, às 15h; e no dia 7, às 11h. No estande da Saraiva, Thalita estará presente no dia 4, às 14h. No dia 10, às 18h, participará da Arena #semfiltro, área dedicada a debates de interesse dos jovens de todas as idades. Em todos os casos, é bom chegar cedo!

Depois de comparecer a diversas edições da Bienal do Livro como um dos milhares de visitantes que lotam o Riocentro, pela primeira vez Lucas de Sousa terá a palavra escritor cravada em sua credencial. Nada mal para um jovem morador da Cidade de Deus que, devido à dislexia, só foi alfabetizado aos 9 anos. Parece até história tirada de um livro, mas talvez a ficção não fosse tão surpreendente quanto os rumos da vida de Lucas. Após aprender a ler e a escrever graças ao próprio esforço e ao trabalho de professores da Escola Municipal Joaquim Fontes, foi a hora de ele “tirar o atraso" literário e mergulhar de cabeça nos livros.

Aos 14 anos, sentiu-se seguro a ponto de começar a escrever, à mão e à lápis — assim como o escritor britânico Roald Dahl, um de seus preferidos — sua própria saga de fantasia, composta por cinco livros e ainda não editada. Hoje, aos 26, tem em mãos seu primeiro romance publicado, “O encantador de livros”, que acompanha um contador de histórias capaz de fazer os livros voarem, e Benjamim, um menino analfabeto que, juntamente com seus amigos, terá que salvar sua cidade de uma terrível ameaça. Será com este título — concorrente do Prêmio Oceanos, de literatura em língua portuguesa, na categoria Melhor Romance — que Lucas viverá, dentro de poucos dias, a emoção de fazer parte da programação oficial do evento.

— Sempre fui com a minha família à Bienal. Queria ver tudo, saber sobre os novos escritores. Via as sessões de autógrafo e me emocionava. Às vezes não acredito que terei a minha. Estou ansioso, nervoso. Quero que chegue logo a hora, para eu aproveitar cada momento. Sempre sonhei com esse dia — revela Sousa, que também lançou seu livro de estreia em plataformas on-line.

Além de escritor, Lucas é ator formado pelo Retiro dos Artistas e estudante de Psicologia. Diz que uma das atividades mais gratificantes para ele é a atuação como coordenador pedagógico do projeto Eco Rede, da Cidade de Deus, que visa a sensibilizar crianças e jovens para a literatura. Atualmente, alunos da escola onde estudou trabalham seu livro de estreia. A iniciativa, diz, é uma forma de melhorar a qualidade do ensino.

Alexia Road levará à Bienal seu primeiro romance publicado


Hermes de Paula / Agência O Globo

— As escolas estão deixando de trabalhar livros dentro de sala. É uma pena, porque isso é importante para ampliar a comunicação e a capacidade crítica, assim como a autonomia. A boa leitura acaba por influenciar na formação — opina o escritor. — Pelo projeto, também fazemos um cesto repleto de livros correr a CDD inteira.

Nos próximos anos, o jovem pretende revisitar o que chama de “caderno de ideias”, onde faz apontamentos que podem servir para o desenvolvimento de novas histórias.

— Dali, devem sair no mínimo uns cinco livros — prevê.

Sousa participará de um bate-papo com leitores no estande da Amazon no dia 6 de setembro, às 15h. Além disso, fará sessões de autógrafo do livro no estande da Ler Editorial, no dias 31 de agosto, às 14h; 3 de setembro, às 10h; 4, 5 e 6, ao meio-dia; e 7, às 10h.

Alexia Road também sempre sonhou ser escritora. Na dedicatória do seu livro de estreia, “Os paradigmas de Amy”, homenageia a avó materna, Jane, que sempre fez questão de levá-la à Bienal. Aquele era o “Dia da Alexia”, data em que a podia comprar o que quisesse. O resultado da farra literária cabia em várias sacolas e era devorado por semanas a fio.

— A Bienal foi a minha primeira ponte para o mundo da literatura. Eu não tinha ideia de que livro podia ser algo popular. Foi a partir do que eu vivenciei no evento que cheguei à conclusão de que podia ler por pura diversão. Ali estavam pessoas apaixonados por livro assim como eu — lembra Alexia, que mora com a família e quatro gatos no Jardim Oceânico.

Foi entre eventos e sessões de autógrafos que a jovem Alexia botou na cabeça que um dia também estaria na Bienal como escritora. De lá para cá, criou dezenas de fan fictions e resenhas para a internet, o que resultou em aprendizado para chegar à atual marca, de sete livros escritos. Quatro estão disponíveis em uma plataforma on-line e dois em revisão. “Os paradigmas de Amy”, seu primeiro livro físico, conta a história de Amy Bennett, que se casa aos 18 anos com um rico herdeiro, Mark, e descobre o melhor e o pior do amor. A autora aborda temas como violência contra a mulher e empoderamento feminino na obra.

Aos 20 anos, Alexia tem certeza de que pretende trilhar um extenso caminho na literatura. Não é à toa que escolheu o sobrenome Road (“estrada”, em inglês) para compor seu nome artístico.

— Realmente quero seguir essa estrada. Acho que tenho um longo caminho para chegar onde eu quero com meus escritos — diz ela, que fará uma sessão de autógrafos no dia 8, às 15h, no estande da Editora Pandorga.

Moradora de Vargem Grande, a escritora Tammy Luciano reservou cinco dias em sua agenda para participar da Bienal do Livro. A maratona de Tammy começará no dia 31 de agosto e se estenderá até 4 de setembro, datas em que fará encontros com leitores no estande da editora Valentina e da Qualis Editora (este já marcado para o dia 2, às 16h).

— Vou chegar às 10h e só vou embora às 22h todos os dias. Só levanto para ir ao banheiro — garante a escritora, que sempre situa suas histórias entre Gávea, Barra e Recreio. — É muito tempo mesmo, mas eu amo. É quase uma promessa, para agradecer aos meus leitores.

E ela tem mesmo o que agradecer. Foi graças a uma situação vivida com eles, na Bienal do Livro de 2015, que a escritora conseguiu permissão de sua editora para trabalhar na continuação de um de seus romances.

— Em 2015, lancei um livro chamado “Sonhei que amava você”. Durante o evento, vários leitores começaram a pedir uma sequência dessa história. Meu editor estava no estande e ouviu. O resultado disso é que um novo livro vai sair em breve — comemora a autora de oito obras, entre elas, “Escândalo”, de 2015, e “Diário do amor desenfreado", lançado no ano passado.

A estreia de Tammy como autora se deu em 2003, com o livro “Fernanda Vogel na passarela da vida”, no qual, por meio de ela dezenas de depoimentos, aborda aspectos da vida da modelo Fernanda Vogel, morta em 2001 após a queda do helicóptero em que viajava, no litoral paulista.

— Depois, disso, os leitores passaram a me pedir romances e não parei mais — relembra.

A Bienal do Livro funciona como uma vitrine para quem acaba de editar um livro e deseja mostrar a nova história a milhares de pessoas sedentas de novidades. A escritora e jornalista Cris Motta, moradora da Barra, conta os dias para lançar o último livro de “Baroak”, sua trilogia fantástica, intitulado “Baroak, o sol nascente". Para Cris — que fará uma sessão de autógrafos no estande da editora Novo Século no dia 8, das 18h às 19h —, nada se compara ao contato direto com o público proporcionado pelo evento.

— Sempre tem gente fantasiada como os meus personagens; é legal mexer com o imaginário das pessoas. É a festa do livro, né? Quando o escritor está presente e conta sua história, é muito mais interessante. Não abro mão de participar — afirma a autora, que participa do evento desde a edição de 2012, em São Paulo.

Além da programação oficial, alguns autores comparecem à Bienal para encontrar leitores e avaliar a reação do público diante de suas obras. É o caso da premiada escritora Ieda de Oliveira, que é especialista em literatura infantojuvenil, tem 26 livros publicados e fez sua estreia no universo adulto no ano passado, com o conto “Sabor Bordeaux”, escrito para a antologia “Olhar Paris”. A experiência agradou. Na obra “Escrever Berlim”, lançada em março, a escritora contribui com o conto “Auferstehung”. Além disso, Ieda, moradora do Recreio, revela que a produção de seu primeiro romance adulto está a todo vapor.

— Estou experimentando um trabalho de natureza diferente, e a sensação de liberdade é grande, porque do outro lado estará um adulto, não uma criança — salienta ela, que comparecerá à Bienal no dia 4 de setembro, às 14h, no estande do Grupo Editorial Zit, para uma conversa com seus leitores. (Colaborou Daniela Kalicheski)

 



Use the #EUAMOLER and #BIENALRIO hashtags and share your love for reading.

SPONSOR
entre letras sponsorship
LITERARY CAFÉ OFFICIAL PAPER
OFFICIAL SECURITY
e-commerce
CULTURAL SUPPORT
SUPPORT
digital area support
OFICIAL TRANSPORTATION
media partner
UNIVERSITY SUPPORT
REALIZATION
AGENTS & BUSINESS CENTER
ORGANIZED AND PROMOTED BY
INFORMATION, QUESTIONS AND
CUSTOMER SERVICE:

+55 21 2441-9348
Working hours: 13:00 to 19:00
contato@bienaldolivro.com.br
PRESS:
Approach Comunicação Integrada
21 3461-4616 - Ramal 133
Adriane Constante
bienal@approach.com.br
ADDRESS
Rua Salvador Allende 6.555
Barra da Tijuca · RJ
22783-127 · Brazil