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Após obra para público adulto, Pedro Bandeira lança "Esses Bichos Maluquinhos!"

02/09/2017 em via ISTOÉ - Blogs

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Se você falasse há pouco tempo com Pedro Bandeira – escritor consagrado por suas inúmeras histórias infantis e juvenis, como A Droga da Obediência – sobre a possibilidade de ele escrever uma obra destinada ao público adulto, o autor de 75 anos seria categórico: não é possível. Bandeira, no entanto, vai participar de mais uma Bienal do Livro do Rio para lançar outro infantil, Esses Bichos Maluquinhos! (Moderna), com ilustrações de Adilson Farias, e ainda vai aproveitar o evento para autografar Melodia Mortal – Sherlock Holmes Investiga as Mortes de Gênios da Música (Rocco), sua primeira experiência no universo de livros adultos, escrito em parceria com o amigo e médico Guido Carlos Levi.

“Em uma das caminhadas que sempre faço com ele, Guido falou que estava intrigado com a forma como morreram gênios da música clássica. Eu o aconselhei a escrever um livro não-acadêmico sobre o assunto. Ele disse que não teria coragem de fazer sozinho, e, em seguida, me atiçou ao perguntar se não queria escrever junto com ele. Ao me provocar, levei o assunto a sério e escrevemos na maior diversão Melodia Mortal”, conta o escritor ao Estado sobre seu primeiro livro para o público adulto.

Na feitura dos dois livros, o autor revela que o processo é o mesmo. “É contar uma história para interlocutores de diferentes idades e interesses diversos.” Ele estará na estande da editora Rocco no feriado de 7 de setembro, autografando Melodia Mortal, e, nos dias 8 e 9, lança Esses Bichos Maluquinhos!, escrito para crianças de até cinco anos, que ainda não aprenderam a ler e a escrever. Nos principais trechos da entrevista, Bandeira fala sobre seus livros, como tratou de temas como puberdade e a descoberta do corpo das meninas que, em alguns de seus livros, geraram protestos de pais e professores, além da frustrante e única experiência de ter visto um de seus livros, O Fantástico Mistério de Feiurinha, ser adaptado para o cinema – no filme estrelado por Xuxa, em 2009. “Se arrependimento matasse, você estaria hoje falando com um cadáver. Depois do filme Xuxa em o Mistério de Feiurinha, as vendas do meu livro caíram muito. E o filme é muito ruim.”

Como é escrever para o público adulto (Melodia Mortal) e para as crianças que ainda não sabem ler e escrever (Esses Bichos Maluquinhos!)?

Escrever é uma profissão como qualquer outra. Faz-se o que se tem de fazer. É como contar a mesma história para interlocutores de diferentes idades e interesses diversos. Se um deles for uma criança bem pequena, você se porta como um bobo perguntando “Como é o seu nominho?”, “Quantos aninhos você tem?”, “Cadê mamãe?”. Quando você se dirige a adultos já leitores, seu discurso não tem limites. Você pode, como fiz em Melodia Mortal, colocar Sherlock Holmes para resolver mistérios enquanto conversa com Sigmund Freud e Bernard Shaw e introduzir frases que realmente foram ditas por esses dois pilares da nossa cultura.

São mais de cem livros infantis e juvenis em catálogo, com mais de 25 milhões de exemplares vendidos, número que deverá crescer agora com Esses Bichos Maluquinhos!. Você guarda alguma coisa na gaveta para o público infantil?

Tenho um livro de poesia para crianças que está 80% pronto. Só que secou a fonte… É um livro de poesias metrificadas e rimadas, com a melodia natural da língua falada. Foi o que fiz com as brincadeirinhas de Esse Bicho Maluquinhos!. São versinhos simples, cheiros de “puns”, de “chulés” e de “bumbum”.

Dois dos seus livros – A Marca de uma Lágrima e Mariana Menina e Mulher – que tratam de descobertas de meninas de doze, treze anos, como a puberdade, o corpo, a primeira menstruação, geraram protestos dos pais, que te chamaram, na época, de pornográfico e ainda quiseram proibir a adoção das obras nas escolas. Qual é o desfecho dessas histórias? Por que tanto conservadorismo quando se trata de algo tão natural como a descoberta do corpo nessa idade?

Essas pessoas conservadoras são a favor da ignorância. Nesses livros, quis falar com as minhas leitoras, jovens de doze a quinze anos, que chegaram à puberdade, marcada pelo crescimento dos seios, dos pelos pubianos, pela chegada da primeira menstruação etc. A puberdade é o único momento em que o ser humano deixa de ser uma coisa para ser outra. É um momento de extrema insegurança. Em uma escola de Belo Horizonte, um pai me procurou para dizer: “Minha filha tem 13 anos, ainda está na idade de brincar de boneca, não de ler coisas obscenas”. Outra vez, foi uma professora que falou que, no livro A Marca de uma Lágrima, aparecia a palavra “calcinha”, portanto, ela estava me devolvendo “um livro pornográfico”. Eu olhei para ela e disse: “Mas a senhora não usa calcinha?”. Acreditar que uma menina nessa faixa etária não pode lidar com esses temas é errado. Se os pais não falam com seus filhos sobre determinados assuntos, eles aprendem na rua, com palavrões e termos inadequados, sem orientação e tratados de forma distorcida.

Por que você se arrependeu de ceder os direitos à apresentadora Xuxa do seu livro O Fantástico Mistério de Feiurinha, que ela adaptou em 2009 para o cinema?

Na época em que cedi os direitos, não conhecia seu trabalho, não sabia que ela tinha feito tanta porcaria. Mas, se arrependimento matasse, você estaria entrevistando hoje um cadáver. O filme é muito ruim. Ela até foi simpática comigo, é uma moça educada, mas inventaram certas histórias bobas para complementar o filme, que me envergonham. Para você ter uma ideia, antes do filme, O Fantástico Mistério de Feiurinha era um dos meus livros mais vendidos. Depois do longa, as vendas caíram muito, só agora vêm se recuperando. Eu também tinha vendido os direitos de adaptação de A Droga da Obediência para os irmãos Gullane (Caio e Fabiano, produtores de cinema), que voltaram para mim novamente. Enquanto eu estiver vivo, nenhuma história minha será filmada.

Depois dessa primeira experiência em escrever para adultos, você pensa em fazer outro livro para esse público?

Talvez. Mas eu preciso ser provocado, como foi com Melodia Mortal. Para escrever outro livro adulto, precisarei ser provocado.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.



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