Tecnologia e tradição para incentivar a leitura

Data: 09/09/2011

Fonte: O Globo Online

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De um lado, a modernidade; do outro, a tradição. Assim se dividem os dois espaços infantis da 15 Bienal do Livro. Montados no Pavilhão Verde do Riocentro, a Maré de Livros e a Biblioteca Mirim foram disputadíssimos no primeiro fim de semana do evento - só a Maré recebeu aproximadamente 13 mil pessoas - e mantêm até domingo, encerramento da feira, a missão de atrair o interesse das crianças para o mundo da literatura. Seja através das fábulas transmitidas por contadores de histórias, na Biblioteca, ou da simulação de aparelhos eletrônicos que possibilitam a leitura de livros digitais, na Maré.

Curador da Maré de Livros, o diretor de TV João Alegria reuniu diferentes experiências de leitura em um só lugar, "como já acontece na casa das pessoas", diz. Para isso, criou uma instalação interativa com três ambientes, que misturam telas sensíveis ao toque e narração por autofalantes. Na entrada, a criança passa por estantes com livros, que conduzem a uma espécie de aquário, cercado por tablets e e-readers, onde elas podem formar textos com as próprias mãos. Na saída, fica a Mesa de Emoticons, onde também podem criar textos a partir dos símbolos que usam para se comunicar na internet.

- São três ambientes diferentes. Na entrada, a criança passa por estantes com livros e entra em uma espécie de aquário, todo cercado por telas sensíveis ao toque, como os tablets e e-readers. Lá eles podem formar textos com as próprias mãos. Ao sair, o público passa pela Mesa de Emoticons, onde também podem criar textos a partir dos símbolos que eles usam para se comunicar na internet - explica Alegria.

Concorridíssima, a tal mesa é, na verdade, um teclado gigante cujos botões são representados pelas "carinhas" que resumem as emoções dos jovens nos bate-papos pela web. Quando símbolos como :) ou :* são pressionados, o aparelho os decodifica em substantivos, verbos e expressões, formando frases em um telão.

- Na Maré de Livros, os jovens podem experimentar esses símbolos fazendo um caminho contrário ao de costume. Em vez de sintetizar suas emoções em emoticons, eles usam os emoticons e seus significados para criar pequenas histórias.

Mesmo em meio a tanta tecnologia, Alegria não se preocupa com a pouca atenção dada pelo público infantil aos bons e velhos livros em papel expostos em sua instalação.

- Hoje em dia, as crianças leem de diversas maneiras diferentes e na Maré de Livros elas têm contato com algumas dessas formas. A Bienal é um evento dedicado essencialmente aos livros feitos de papel e tinta, elas têm todo um Riocentro para ter contato com eles e se divertem muito com isso.

E um destes espaços é a Biblioteca Mirim, que se mantém lotada de pequenos, atentos aos contos interpretados por um trio de contadores de histórias. Durante meia hora, cerca de cem espectadores ouvem desde textos folclóricos brasileiros, como "Por que o mar tanto chora?", até fábulas da cultura judaica, caso de "Batatas e diamantes". Depois de participar das sessões, as crianças podem ainda se refestelar nos pufes espalhados pelo espaço e ler alguns dos 400 livros infantis que fazem parte do acervo.

Em visita ao Riocentro, pais aprovaram as atividades destinadas aos filhos. Caso do professor de Educação Física Mario Braga, de 38 anos, pai de Lara, de seis. Encantado com o "visual espetacular" da Maré de Livros, Braga também elogiou a Biblioteca Mirim, onde deixou a menina ouvindo contos como o da princesa mentirosa.

- A Maré de Livros é um espaço muito bacana e interativo. O contato que as crianças têm com as telas realmente desperta a curiosidade deles. Mas a leitura e a contação de histórias são incomparáveis e insubstituíveis por transportarem as crianças para um mundo de fantasia, o que estimula mais o desenvolvimento da criatividade infantil - pondera.