Encontro na XV Bienal do Livro Rio discute acaso, ciência e religião

Data: 08/09/2011

Fonte: Fagga | GL exhibitions

Debate entre Leonard Mlodinow e Nilton Bonder tem sessão concorrida. No espaço Mulher e Ponto, Carpinejar e Mosé conversam sobre a independência feminina

A noite de quinta-feira na XV Bienal do Livro Rio foi marcada por um debate sobre a presença do acaso em nosso dia-a-dia, no encontro entre o físico e autor americano Leonard Mlodinow e o rabino brasileiro Nilton Bonder, com mediação de Bernardo Esteves. Filho de judeus que conseguiram fugir do Holocausto, Mlodinow, autor do livro O Andar Bêbado (Zahar), abordou a presença do acaso em experiências pessoais e científicas, enquanto Bonder, que lança seu livro Segundas Intenções (Rocco), falou sobre a questão pelo viés religioso.

Leonard, que nasceu em Chicago, nos Estados Unidos, fez menções ao acaso na história de sua própria família. Na ânsia por fugir da Alemanha nazista, sua tia acabou sendo morta por buscar ajuda, enquanto seus pais, que tiveram atitudes mais discretas, conseguiram seguir para os Estados Unidos: “Não existe explicação por ela não ter obtido êxito na sua fuga e meus pais sim. Foi uma coisa aleatória. A vida é repleta de acasos”, disse.

Já o rabino gaúcho Nilton Bonder abordou o acaso de um ponto de vista religioso e mostrou que o tema necessita de uma reflexão individual. “O acaso passa pelo entendimento de que existem coisas que o ser humano não enxerga e não entende, que simplesmente vivencia. Ele é importante para fazer com que sejamos mais humildes, para mostrar que a pessoa não é o epicentro do mundo”, afirmou.

Por fim, Leonard recomendou que as pessoas estejam preparadas para o acaso em suas vidas e que não fechem os olhos para os índicos que a vida aponta para cada um.

“Não se pode prever as coisas que vão acontecer. O acaso é assim. Improvável. Impessoal. Ele não escolhe. Simplesmente acontece. Eu mesmo mudei a maneira de escrever meu livro, pois o acaso me apresentou novos caminhos. E esse é meu conselho. É importante ficar atento ao aleatório que a vida lhe propõe”, recomendou o físico americano.

Na sessão anterior do Café Literário, os escritores André de Leones, Godofredo de Oliveira Neto e Stella Florence conversaram sobre o início da carreira no mundo das letras na palestra “Vida literária: obra do acaso, imposição do destino”. Leones e Oliveira Neto afirmaram ter iniciado suas carreiras naturalmente, como consequência do cotidiano e criação. Já Florence lembrou que a decisão foi uma ruptura na vida de secretária executiva que levava até então. “Surtei. Vi que a minha vida estava sem sentido, peguei a minha bolsa e nunca mais voltei. Foi aí que comecei a minha vida de escritora”, disse. O encontro abordou ainda temas como rotina de trabalho, internet e ferramentas digitais, com participação ativa do público.

Mais cedo, com todos seus lugares ocupados, o espaço Mulher e Ponto foi palco de um debate sobre a independência das mulheres. O poeta e jornalista Fabrício Carpinejar, autor de Borralheiro (Bertrand Brasil), e a psicanalista Viviane Mosé, que escreveu Pensamento Chão (Record), conversaram sobre a independência conquistada ao longo dos anos, os desejos que movem a mulher atual e como isso interfere nos relacionamentos hoje em dia. Apesar da diferença de visão entre homens e mulheres, eles concordaram com o fato de que essas mulheres atuais, bem-sucedidas, criam barreiras para se relacionar.

“Esse tipo de mulher está ocupada em maior parte do seu tempo, é inteligente e produz muito. Isso faz com que ela não sinta falta de se dedicar a questões sentimentais, por exemplo. Apesar desse tipo de perfil existir, ainda acho que não existe nada melhor do que depender e se entregar para alguém”, disse Viviane, casada e mãe de um menino de 7 anos.

Já Fabrício Carpinejar foi aplaudido por todo auditório ao analisar que o segredo do relacionamento não está na análise de quem é mais bem sucedido, mas sim da maneira que o casal age para o sucesso do relacionamento.

“O pequeno detalhe sempre faz diferença. A outra pessoa pode até não notar o detalhe que você se propôs a arrumar, mas o simples fato de você amar silenciosamente faz a diferença e contribui bastante”.

O dia na XV Bienal do Livro Rio foi marcado ainda pela votação para o prêmio Alfredo Machado, uma homenagem ao fundador da Editora Record, que premia o expositor com o estande mais bonito da festa literária. O corpo de jurados é formado por arquitetos, decoradores e jornalistas especializados em moda e decoração. O vencedor tem direito a escolher primeiro o local do estande na próxima Bienal do Livro Rio. O resultado será anunciado neste domingo, 11.

Os jurados percorreram os três pavilhões do Riocentro para analisar todos os estandes. A arquiteta e designer Verônica Valle deu a receita para quem quiser sair vencedor: “É muito importante valorizar o livro, produto principal da festa e, ao mesmo tempo, proporcionar ao visitante conforto, aconchego, boa iluminação”, disse. Valle afirmou que o nível evolui a cada edição: “Antigamente, não havia grande preocupação com a disposição dos livros nas prateleiras nem com a ornamentação. Hoje, há preocupação com a estética”.

A 15ª Bienal do Livro Rio, uma iniciativa do SNEL (Sindicato Nacional dos Editores de Livros) em parceria com a Fagga | GL exhibitions, acontece no Riocentro até o dia 11.