09 de Setembro de 2011

O encontro entre o humorista Beto Silva, do Casseta e Planeta, com o jornalista Leandro Narloch e a historiadora Isabel Lustosa juntou humor e história, na mesa-redonda “O Brasil pelo avesso: mais ou menos verdadeiro”. Num bate papo descontraído, o trio refletiu sobre a sátira de figuras históricas e a construção de mitos. “Nós sempre procurarmos fazer piada do que estava se passando no país. Sempre sem tomar posição, deixando que o próprio humor informasse”, disse Beto Silva. Autor dos livros Guia do politicamente incorreto da história do Brasil e Guia do politicamente incorreto da América Latina, Narloch falou sobre o seu objetivo ao escrever as duas obras. “Minha ideia foi desmistificar um pouco a história que sempre coloca um vilão e um mocinho, o rico contra o pobre. Procurei explorar a virtude dos bandidos e os erros dos heróis”, disse.



08 de Setembro de 2011

A noite de quinta-feira foi marcada por um debate sobre a presença do acaso em nosso dia-a-dia, no encontro entre o físico e autor americano Leonard Mlodinow e o rabino brasileiro Nilton Bonder, com mediação de Bernardo Esteves. Filho de judeus que conseguiram fugir do Holocausto, Mlodinow, autor do livro O Andar Bêbado (Zahar), abordou a presença do acaso em experiências pessoais e científicas, enquanto Bonder, que lança seu livro Segundas Intenções (Rocco), falou sobre a questão pelo viés religioso.

Leonard, que nasceu em Chicago, nos Estados Unidos, fez menções ao acaso na história de sua própria família. Na ânsia por fugir da Alemanha nazista, sua tia acabou sendo morta por buscar ajuda, enquanto seus pais, que tiveram atitudes mais discretas, conseguiram seguir para os Estados Unidos: “Não existe explicação por ela não ter obtido êxito na sua fuga e meus pais sim. Foi uma coisa aleatória. A vida é repleta de acasos”, disse.

Já o rabino gaúcho Nilton Bonder abordou o acaso de um ponto de vista religioso e mostrou que o tema necessita de uma reflexão individual. “O acaso passa pelo entendimento de que existem coisas que o ser humano não enxerga e não entende, que simplesmente vivencia. Ele é importante para fazer com que sejamos mais humildes, para mostrar que a pessoa não é o epicentro do mundo”, afirmou.

Por fim, Leonard recomendou que as pessoas estejam preparadas para o acaso em suas vidas e que não fechem os olhos para os índicos que a vida aponta para cada um.

“Não se pode prever as coisas que vão acontecer. O acaso é assim. Improvável. Impessoal. Ele não escolhe. Simplesmente acontece. Eu mesmo mudei a maneira de escrever meu livro, pois o acaso me apresentou novos caminhos. E esse é meu conselho. É importante ficar atento ao aleatório que a vida lhe propõe”, recomendou o físico americano.

Na sessão anterior do Café Literário, os escritores André de Leones, Godofredo de Oliveira Neto e Stella Florence conversaram sobre o início da carreira no mundo das letras na palestra “Vida literária: obra do acaso, imposição do destino”. Leones e Oliveira Neto afirmaram ter iniciado suas carreiras naturalmente, como consequência do cotidiano e criação. Já Florence lembrou que a decisão foi uma ruptura na vida de secretária executiva que levava até então. “Surtei. Vi que a minha vida estava sem sentido, peguei a minha bolsa e nunca mais voltei. Foi aí que comecei a minha vida de escritora”, disse. O encontro abordou ainda temas como rotina de trabalho, internet e ferramentas digitais, com participação ativa do público.



07 de Setembro de 2011

O encontro entre o escritor Ruy Castro, a pesquisadora e professora Santuza Neves e o jornalista Hugo Sukman, no Café Literário, foi um dos sucessos de público do dia. O trio participou da sessão “Há caminhos a seguir na música popular brasileira?”, com mediação do pesquisador e ensaísta Fred Coelho. Num debate cheio de polêmicas, os participantes foram instigados a traçar a linha evolutiva da música popular brasileira.

Logo no início, o escritor Ruy Castro condenou o uso do termo MPB. “Esse foi um termo criado pelos jornalistas, uma besteira, que reduziu a riqueza da música brasileira a um único gênero”. Os debatedores também conversaram bastante sobre Bossa Nova e Tropicalismo: “A Bossa Nova tinha uma estética fina, já o tropicalismo pensou num Brasil que também era cafona. Mas fora esses gêneros, existem várias linhas evolutivas na história da MPB, que abrangem por exemplo o samba, a música instrumental", afirmou Hugo Sukman

Para Ruy Castro, a música brasileira sempre resistiu à influência norte-americana, até o início dos anos 80: “Nossa música sempre foi muito rica. Resistiu e incorporou criativamente o que era feito lá fora. Isso até a chegada do rock, que decretou o fim da linha evolutiva da música brasileira”.

Na abertura, um sarau poético reuniu a escritora peruana radicada no Brasil Glória Kirinus, o autor e ilustrador brasileiro Guto Lins e a poetisa e escritora de obras infanto-juvenis Roseana Murray. O trio selecionou obras próprias e clássicos para falar sobre os encantos da poesia no mundo infantil. Em um recital que entrecortava poemas a lembranças da infância de cada autor, bem como revelações sobre suas relações com filhos e netos, o público pode conhecer mais sobre o processo criativo dos poetas, suas inspirações e as possibilidades desse estilo para o desenvolvimento dos pequenos leitores.

“A poesia não tem fronteiras. Um poema para crianças, quando bem feito, pode ser lido por qualquer pessoa. Além disso, a poesia é terapêutica”, destacou Roseana Murray. Já Henrique Rodrigues, mestre em literatura, lembrou a importância da leitura de poemas em salas de aula e em casa. “Quem não é da área pode achar que poesia e infância não combinam, o que não é verdade. A poesia está presente desde sempre na vida de todos nós, em fato contado e cantado”, disse. Em um depoimento repleto de revelações de sua infância, Glória Kirinus contou que é filha de poeta e que costumava ler junto com seu pai pelas manhãs. “Além do contato com o público, ter a oportunidade de estar ao lado dos nossos pares, de outros escritores, é um privilégio”, acrescentou.

País homenageado na XV Bienal do Livro Rio, o Brasil teve sua história passada a limpo em um Debateboca com o autor Laurentino Gomes, que encerrou a programação do feriado da independência nacional, nesta quarta-feira à noite. Estimulado pela jornalista Lúcia Hipólito, Laurentino – responsável pelos dois maiores best-sellers históricos dos últimos tempos no país, os livros 1808 e 1822 (Planeta) ¬ – falou sobre os últimos anos do Brasil Colônia, o processo de independência e algumas passagens anedóticas que deliciaram a plateia que participou do Café Literário.

A conversa franca entre Laurentino e Lúcia tratou de diversos temas polêmicos que são debatidos até os dias atuais como, por exemplo, a pouca popularidade da Princesa Isabel antes de assinar a Lei Áurea ou os boatos de que Dom Miguel, filho de Dom João VI, era homossexual. Após falar sobre a vinda da família real portuguesa para o Brasil e sua escolha pelo Rio de Janeiro, Laurentino Gomes respondeu a perguntas do público onde falou sobre sua maneira de trabalhar e sobre seus planos futuros:

“Faço consultas frequentes em bibliotecas e museus. Depois de tudo isso, é que começo a escrever, com a preocupação de equilibrar a análise dos fatos com o aspecto pitoresco”, disse. “Agora, por exemplo, estou pesquisando tudo sobre 1889, que será o tema do meu próximo livro”.

Depois, os autores Adriana Lisboa, Luiz Ruffato e Cristóvão Tezza se reuniram para passar a carreira em revista e discutiram a viabilidade de ganhar a vida como escritor. De forma franca, os autores falaram sobre as dificuldades enfrentadas e também sobre o processo solitário de produção do livro. Além disso, eles falaram da profissionalização do escritor. “Minha geração teve um papel importante. Até os anos 90, o autor escrevia o livro com o objetivo de ser chamado para fazer um prefácio ou ler um original ou uma tradução. Não havia remuneração pelo livro, era com isso que se ganhava dinheiro. Foi necessário um posicionamento forte para mudar isso. Hoje é possível viver de literatura”, afirmou Ruffato.



06 de Setembro de 2011

O Sarau Poético contou com a participação de Claufe Rodrigues, Nicolas Behr, Mariano Marovatto, Alice Sant'Anna e Laura Erber. A apresentação foi marcada pelo bom humor do quinteto de poetas, que, dentro de seus estilos, procuraram relatar experiências próprias que geraram suas poesias. Autor do livro O pó das palavras (Ponteio), Claufe iniciou a rodada de leituras lembrando um ditado que sua mãe sempre lhe dizia: “Poesia não dá camisa”. Em seguida, passou a arrancar gargalhadas do público com sua narrativa agradável. No fim, concluiu que a poesia, contrariando a tese de sua mãe, lhe deu boa parte de suas camisas.

O bom humor atingiu seu ápice quando Nicolas Behr declamou suas poesias. Com versos curtos e tendo como enredo Brasília, sua cidade natal, Behr abusou das anedotas e ganhou o público ao tratar dos problemas da Capital Federal: “Anunciaram a utopia. Mas foi Brasília que apareceu”, brincou Behr. Se o bom humor ficou marcado entre Nicolas e Claufe, a artista visual Laura Erber, que lançou virtualmente sua última obra, Bénédicte vê o mar (Editora da Casa), e a jovem autora Alice Sant’Anna, escritora de Dobradura (7 Letras), optaram pela troca de experiências pessoais e percepção do cotidiano, o que deu um ar mais reflexivo aos temas que elas abordaram.

Por fim, o carismático Nicolas Behr relevou um dos momentos que mais geraram risadas do público presente ao Café Literário. Preso e processado pelo DOPS nos anos 80, acusado de vender livros que abusavam da pornografia, Behr descobriu o telefone de Carlos Drummond de Andrade na lista telefônica e ligou para o poeta para explicar seu caso. “Ele entendeu o caso e escreveu uma carta às instâncias que julgavam meu caso. Acabei inocentado e essa história é um prêmio pela minha cara de pau de ter ligado”, lembrou.



04 de Setembro de 2011

O Café Literário recebeu neste domingo escritores, antropólogos, médicos, psicanalistas e jornalistas para rodadas de bate-papo que mostraram toda a diversidade cultural do evento. Em uma sessão muito concorrida, Luiz Eduardo Soares e Zuenir Ventura discutiram o tema “O Brasil pode ser mais legal?”com um viés positivo. Como não poderia deixar de ser, a implantação das UPPs foi um dos temas centrais do debate. A noite de domingo na Bienal também reservou um encontro com a médica e escritora Lisa Sanders – consultora de “House”, a badalada série de TV – com o médico, psicanalista e escritor Francisco Daudt. Os dois falaram sobre a relação entre médico e paciente e Sanders não se furtou a falar sobre o enorme sucesso de House.

Parte integrante da homenagem ao Brasil, tema da XV Bienal do Livro Rio, o encontro entre o autor angolano Pepetela e o músico e escritor Nei Lopes sobre as relações entre África e Brasil foi marcado pela troca de experiências. Pepetela lembrou-se da moqueca, que conheceu em Angola; já Lopes falou sobre o desconforto que sua família sentia com sua aproximação da cultura africana.

O processo de criação também foi discutido em duas mesas: o angolano Ondjaki e a brasileira Andréa del Fuego conversaram sobre o limite entre a realidade e a fantasia na literatura de magia e ficção; já os escritores Carola Saavedra, Michel Laub e Gonçalo Tavares falaram sobre a busca e elaboração de um estilo próprio em suas narrativas literárias. O público do Café Literário assistiu ainda a um bate-papo sobre as relações entre homens e mulheres entre a psicóloga brasileira Malvine Zalcberg e a autora americana Kim Edwards. Os dois debateram a psicanálise e falaram sobre a diferença na postura e no comportamento entre homens e mulheres.



03 de Setembro de 2011

O Brasil esteve no centro do debate entre a escritora Ana Maria Machado e o escritor e jornalista Edney Silvestre, na mesa-redonda “Ficção e instinto de nacionalidade”, no já tradicional Café Literário. Instigados pela mediadora Rosa Maria Araújo, os dois conversaram sobre a existência e características de uma narrativa genuinamente brasileira. Já o encontro entre o indiano Amitav Ghosh e o etíope Abraham Verghese girou em torno de história, tema central dos seus livros lançados recentemente por aqui. Os dois autores discorreram sobre o processo de criação e a relação deles com os Estados Unidos e com seus países de origem. Ghosh falou ainda sobre as semelhanças do seu país com o Brasil e a situação de potência emergente que envolve a sigla Bric (Brasil, Rússia, Índia e China).

A diversidade da XV Bienal do Livro Rio foi posta à prova, mais uma vez, com o debate entre os escritores Sidão Tenucci e o professor e escritor Alberto Pucheu, também no Café Literário. Com trajetórias opostas – Sidão foi surfista para então começar na literatura, enquanto Tenucci já criava poesias e atualmente tem no surfe um de seus temas – eles conseguiram mostraram, curiosamente, diversas semelhanças entre os assuntos e falaram um pouco sobre suas experiências. O processo de criação dos autores, alvo de perpétua curiosidade dos leitores, foi discutido pelas autoras Audrey Niffenegger e Letícia Wierchkovski. Nas duas obras, os personagens de seus livros partiram de experiências que vivenciaram. A programação de sábado foi encerrada com um encontro entre os poetas Ferreira Gullar, Antonio Cicero e Viviane Mosé, mediado pela escritora Suzana Vargas, curadora do Estação das Letras. O trio abriu o evento com leituras de suas poesias – algumas já publicadas, outras inéditas. Em seguida, pautados pelas perguntas da plateia, os autores falaram sobre o público restrito da poesia e o aparente conflito com a filosofia.



02 de Setembro de 2011

O escritor gaúcho Moacyr Scliar, falecido em fevereiro, foi o grande homenageado do segundo dia da XV Bienal do Livro Rio. A concorrida sessão contou com a participação do editor Luiz Schwarcz e dos escritores Luís Fernando Veríssimo, Luís Augusto Fischer e Domício Proença Filho num bate-papo marcado por agradáveis lembranças sobre o autor de O exército de um homem só e Guerra no Bom Fim. Durante a mesa-redonda, o fundador da Companhia das Letras, Luiz Schwarcz, anunciou que a editora lançará dois livros de Scliar: um reunirá textos publicados nos jornais Folha de São Paulo e Zero Hora, e o outro terá crônicas inéditas. A sessão foi acompanhada pela viúva do escritor, Judith Scliar. Estimulados pelo mediador do debate, o escritor e curador do Café Literário, Ítalo Moriconi, os participantes da mesa lembraram os mais variados aspectos da vida de Scliar: médico, judeu, gaúcho, escritor, cronista, generoso, pacifista e viajante.

No segundo debate do dia, “Magia e Verdade do Imaginário: Por que nos atraem vampiros e bruxas”, a historiadora americana Deborah Harkness, autora de A Descoberta das Bruxas, e a escritora Mary del Priore, de Histórias Íntimas, discutiram a relação entre literatura e fantasia. As duas começaram o encontro traçando um apanhado histórico e lembraram que, quando esses mitos foram criados, as pessoas acreditavam que eles existiam de fato. Segundo elas, o tema de bruxas e vampiros atrai tanto as pessoas devido ao lado lúdico da história. Serve como forma de escape para a sociedade, além de ser uma diversão para todas as idades, com livros e filmes.



01 de Setembro de 2011

O espaço Café Literário foi inaugurado com o debate “Literatura brasileira na nova década: o papel da crítica”, com a escritora Ana Paula Maia, o jornalista, escritor e crítico literário Paulo Roberto Pires e a professora de literatura Beatriz Rezende. Durante uma hora, os participantes discutiram a produção feita no país a partir da década de 90, e como a crítica se posiciona diante desse fenômeno. Logo em seguida, o espaço recebeu as chefs Flávia Quaresma e Teresa Corção, que falaram sobre gastronomia, suas novas tendências e seu encontro com a literatura. Corção lembrou das poesias de Cora Coralina, ricas em referência sobre a cozinha. As duas falaram ainda sobre o movimento slow food, que prega uma alimentação de qualidade, e sobre a popularidade dos chefs, elevados atualmente à categoria de popstars.