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Eles estão fazendo a cabeça dos jovens

08/01/2016 via IstoÉ Online

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Com vídeos bem-humorados e uma linguagem direta, os youtubers conquistaram a nova geração falando de temas do cotidiano dos adolescentes, como sexo, bullying e relação com os pais Camila Brandalise e Paula Rocha.

Uma cena marcou a 17ª edição da Bienal Internacional do Livro, no Rio de Janeiro. Durante uma sessão de autógrafos em uma tarde de setembro de 2015, mais de duas mil pessoas gritavam, choravam e se aglomeravam em um salão do Riocentro, na zona oeste da capital carioca, para chegar o mais perto possível de uma autora. A responsável pela histeria, no entanto, não era uma escritora consagrada, nem uma celebridade da televisão ou do cinema, mas sim uma curitibana de 22 anos que atende por Kéfera Buchmann. Talvez você nunca tenha ouvido esse nome, mas um teste pode comprovar a projeção que ele ganhou nos últimos meses: pergunte para qualquer pré-adolescente ou jovem entre 10 e 17 anos se ele a conhece e provavelmente nenhum dirá que não. Kéfera é a pessoa física com o maior número de seguidores no portal de vídeos YouTube no Brasil. Ela soma sete milhões de inscritos em seu canal "5inco Minutos", onde posta semanalmente vídeos bem-humorados sobre assuntos do cotidiano. Para se ter ideia do sucesso da jovem, uma paródia que ela fez do clipe "Bang", da cantora Anitta, atingiu o terceiro lugar entre os vídeos mais vistos no YouTube em 2015. Arrebatando multidões e faturando cifras altas, Kéfera lidera o fenômeno dos YouTubers no País, jovens que produzem vídeos para a internet falando o que pensam e estão fazendo a cabeça de milhões de adolescentes. São a voz da nova geração.

A admiração por Kéfera já ganhou ares de idolatria. Cada foto sua no Instagram ou frase no Twitter gera milhares de comentários logo após a postagem. Quando vai ao shopping ou a restaurantes, ela é reconhecida pelos fãs, que, assim como os tietes de grandes celebridades internacionais, têm até um nome de identificação: kélovers. Sua fama, no entanto, é paradoxal. Enquanto milhões a veneram, a maioria da população não faz ideia de quem ela seja. "Eu acho isso engraçado", diz Kéfera. "O público que vê televisão pode não me conhecer, mas quem faz, diretores e atores, conhece." Na lista dos ilustres desconhecidos brilha outro nome, o de Christian Figueiredo, 21 anos. Ele tem dois canais que somam quase sete milhões de inscritos, dois livros lançados (sendo que um deles vai virar filme) e contratos publicitários com grandes marcas. Atual garoto-propaganda de uma empresa de telefonia celular, na peça publicitária para TV o jovem aparece valendo-se da sua própria condição. "Tenho milhões de fãs nas redes sociais. Você ainda não me conhece? Tá precisando de mais internet aí, hein?" Também tem contrato de exclusividade com uma marca de refrigerantes. O tamanho do sucesso de Christian pode ser medido não só pelo número de seguidores, mas também pelas contas criadas para reverenciá-lo. Só no Facebook são 97 páginas. Para se ter idéia, um dos principais galãs globais, Cauã Reymond, tem 92. Christian tem uma equipe de 10 pessoas, entre editores, assessores, empresário, designer e advogado. Seus vídeos são um festival de caretas, tons de voz jocosos e muitas piadas, principalmente sobre relacionamentos entre meninos e meninas. "Sempre busquei ser original. É a junção do meu próprio jeito de ser com escolher temas que não costumam ser muito falados", diz.

Assim como os outros YouTubers que aparecem nas páginas desta reportagem, Christian segue uma fórmula de ouro, segundo o diretor de parcerias de conteúdo do YouTube no Brasil, Eduardo Brandini. "É a autenticidade na forma de se comunicar. Eles têm vocação de conseguir conversar com a audiência e falam de assuntos que os públicos querem consumir e não encontram em outros lugares." São temas essencialmente ligados à realidade dos jovens e sem os pudores que a televisão impõe. A liberdade de ter seu próprio canal permite que esses novos ídolos juvenis falem palavrão, tratem de sexo com naturalidade e bom-humor e façam piadas e brincadeiras ouvidas normalmente apenas em rodas de conversa. Falam a mesma e exata linguagem de quem os assiste. "A gente produz pensando só no nosso público. Na TV não é assim. Há muita preocupação em agradar anunciantes e se faz um conteúdo voltado pra isso", diz Mauro Morizono Filho, 18 anos, o Japa, cujo sucesso foi uma virada em sua vida. "Sempre fui o excluído da turma, tive que mudar de escola três vezes. Sofria bullying e tive uma fase antissocial. No canal mostro meu lado doido, hiperativo e sem noção."

A impressão de que qualquer garoto ou garota pode se filmar falando o que quiser, colocar os vídeos no YouTube e atingir milhões de views só faz aumentar a idolatria dos jovens por essas webcelebridades. Para Celso Figueiredo, doutor em comunicação e professor de mídias digitais da Universidade Presbiteriana Mackenzie, a nova geração se identifica porque esses ídolos são atingíveis. "Se eu admiro o Neymar, quais são as chances de eu ser como o Neymar? Se eu admiro a Kéfera, quais são as chances de eu ser como a Kéfera? Para o jovem, parece muito mais fácil ser YouTuber do que jogador de futebol", diz. Esse foi o raciocínio do paulistano Leo Bacci, 23 anos, que começou a assistir aos YouTubers PC Siqueira (pioneiro entre os vlogueiros brasileiros), Kéfera e Christian Figueiredo e pensou que poderia fazer o mesmo. Os amigos davam risada de suas piadas e elogiavam as imitações, principalmente quando a vítima era a própria mãe. Criou o canal Bom Dia Leo em 2013 e hoje tem mais de 500 mil inscritos. O vídeo mais popular é justamente o que brinca com o dia em que a mãe lhe pediu ajuda para usar o smartphone. Fala muito sobre sexo, já gravou sobre tipos de camisinha e o dia que a menstruação da ex-namorada atrasou. Histórias de baladas e pegação também são constantes. "Trato de situações que fazem parte da vida dos garotos, mas levo para o lado engraçado", diz.

O bom-humor faz parte de todos os canais de grande sucesso. Os assuntos e brincadeiras normalmente se limitam a amenidades do cotidiano e são claramente feitos para divertir. Não é comum ouvir desses YouTubers análises mais complexas, mesmo porque não é a isso que eles se propõem. Um ponto fora da curva é Julia Tolezano, 24 anos, a Jout Jout, que ficou bastante conhecida com um vídeo sobre relacionamentos abusivos. Ela é a mais popular entre os pós-adolescentes por tratar de temas adultos: trabalho, dinheiro, violência contra a mulher. Já filmou, por exemplo, sobre a pressão vivida por mulheres para terem filhos, entre outros temas da pauta feminista. Mas não é menos bem-humorada por isso. E apesar de seu número de seguidores não a colocar no topo da lista - no YouTube são 600 mil -, faz vídeos que reverberam nas redes. É o que se chama de "influenciadora". Por saber o peso que suas palavras têm ao chegar ao público, diz tomar cuidado com o que fala para não ofender ninguém. "Tenho medo de fazer algum discurso de ódio que vai criar um desconforto", diz. Fora isso, não tem qualquer limitação sobre temas. "Tem dias que vai ter funk, dancinha, em outros feminismo, estupro, amamentar em público, meu pé... Eu preciso dessa liberdade."

Com a explosão na web, os YouTubers se tornaram marcas que valem milhões. Kéfera não revela quanto fatura por mês, mas admite já ter comprado um carro e imóveis (assim mesmo, no plural) com o dinheiro que juntou até hoje. Em outubro, o site americano Social Blade chegou a calcular que ela ganha até US$ 98 mil mensais. Grande parte dessa quantia provém de contratos com marcas famosas que pagam para que ela anuncie seus produtos. Jout Jout também faz vídeos pagos, assim como outro ídolo da internet, Lucas Feuerschütte, 25 anos, o Luba. Mas Kéfera ainda é o maior fenômeno entre todos. De um ano para cá, lançou uma autobiografia, o livro "Muito Mais que 5inco Minutos" (Editora Paralela), que já vendeu mais de 300 mil cópias; criou uma loja virtual onde vende produtos com o logo do canal ou desenhos de Vilma Teresa, cachorra pug tão famosa quanto a dona; estrelou a peça "Deixa Eu te Contar", que teve sessões em diversas capitais brasileiras; e agora deve atuar em pelo menos três filmes, um deles produzido por Daniel Filho, da Globo. Também pretende lançar o segundo livro, produtos licenciados como cadernos e chaveiros com seu rosto estampado e até uma linha de comida congelada saudável. Se você ainda acha que a febre dos YouTubers é só uma onda, é bom estar preparado para um tsunami e começar a acessar os canais das webcelebridades. Essa é a língua da nova geração.



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