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Em "Agora e para sempre, Lara Jean", Jenny Han dá adeus à sua personagem mais famosa

01/09/2017 via O Globo

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Sucesso de vendas entre os jovens, autora americana estará na Bienal neste sábado

Jenny Han - Adam Krause / Divulgação

RIO — Um dos principais nomes da 18ª Bienal Internacional do Livro do Rio, a americana Jenny Han acaba de encerrar um ciclo. No recém-lançado “Agora e para sempre, Lara Jean”, ela dá adeus à sua personagem mais famosa — a romântica Lara Jean, uma adolescente que pouco a pouco vai passando da teoria à prática em matéria de amor. No primeiro livro da série, “Para todos os garotos que amei”, a protagonista escrevia em segredo para todos os seus crushes, e foi pega de surpresa quando um dia as cartas foram misteriosamente enviadas para os destinatários. Com a vida amorosa turbinada, ela teve que aprender como funciona um relacionamento de verdade no segundo volume, “P.S.: Ainda amo você”. Agora, o derradeiro livro da trilogia traz um novo dilema: ingressar na faculdade ou permanecer com a família e o namorado? De origem coreana, Lara é muito próxima de suas duas irmãs, e os três livros — que já venderam 150 mil exemplares no Brasil e acabam de ser reunidos em um box pela Intrínseca — refletem sobre os relacionamentos familiares. A história deve virar filme com a atriz Lana Condor (“X-Men: Apocalypse”) no papel da personagem.

Jenny estará na Bienal neste sábado, às 11h, no Encontro com os Autores, que acontece no Riocentro. Ela conversou com o GLOBO sobre a importância da representatividade na literatura e sobre o seu amor por bolos.

Assim como sua personagem, você também escrevia cartas de amor na sua adolescência. Foi sua primeira experiência com escrita criativa?

Na verdade, não. Antes disso, muito cedo, eu já mantinha um diário e anotações sobre os romances que lia.

O que escrever essas cartas lhe ensinou?

Acho que cartas nos ensinam a ter nossa própria voz. Quando dou conselhos a escritores aspirantes, sempre digo que o mais importante é achar sua voz, seu ponto de vista, a maneira de ver o mundo. Cartas são um bom treino para isso. Nas cartas escolhemos com cuidado nossas palavras. E tem o tempo da escrita à mão, que não é o mesmo do e-mail.

Você guarda até hoje essas cartas de adolescência. O que sente ao relê-las, hoje?

Quando o primeiro livro da série saiu, fizemos uma festa de lançamento em Nova York. Achei que ia ser divertido ler uma dessas cartas, mas, quando comecei a ler, senti um calor tão forte pelo corpo... Acho que é porque ler uma carta de amor como essas é como ler um diário em voz alta. É algo muito pessoal, você não escreve esperando que os outros leiam. E eu havia escrito essa carta 20 anos antes e os sentimentos estavam voltando fresquinhos, como se eu fosse novamente uma adolescente. Não foi tão legal como eu achava que seria (risos). Acho que não faria de novo.

A relação de Lara Jean com suas duas irmãs é muito intensa. A inspiração veio de suas próprias experiências familiares?

Tem um pouco de mim em todos os meus personagens. Mas minhas irmãs sempre foram muito especiais para mim. Valorizo muito as relações entre irmãos, há muito espaço para o drama! Ter uma irmã mais velha é ter alguém que entende como você está crescendo.

A trilogia é toda focada numa família de origem coreana. O que acha dessa atual procura por mais diversidade no mercado editorial e como vê a sua contribuição para esse movimento?

Todas as famílias são diferentes, mas também muito parecidas. Há muitas pessoas com falas e aparências diferentes nos Estados Unidos. Durante muito tempo pensava-se nos americanos de uma maneira muito específica, como pessoas louras, de olhos azuis... Mas essa não é mais a realidade do país. E é por isso que gosto de escrever sobre histórias, pessoas e experiências que tenham a ver com a nossa realidade.

“Para todos garotos que já amei” foi o primeiro livro com uma asiática na capa a aparecer entre os mais vendidos do “New York Times”. Qual é a importância da sua protagonista pertencer a uma minoria?

Para mim era importante que houvesse uma pessoa real na capa e não uma ilustração. Queria muito que garotas asiáticas tivessem essa experiência de entrar na livraria e se ver nas prateleiras. Muitas pessoas se sentem invisíveis, e essa é uma maneira de fazê-las se sentirem vistas. Havia o medo de que o livro não fosse vender porque um grande grupo de pessoas poderia achá-lo muito diferente delas. Por isso fico feliz que tenha feito sucesso, porque prova que é possível ter empatia por pessoas diferentes, não precisa ser algo que reflita apenas as suas próprias experiências.

Uma coisa interessante sobre Lara Jean é que, como você, ela está sempre assando bolos.

Eu adoro fazer bolos.

Lara parece ter tanto prazer em assar um bolo quanto em comê-lo...

Para um escritor, parece às vezes que o trabalho nunca vai chegar ao fim. Você nunca sabe quando vai terminar algo. Mas com o bolo há a certeza de que vai ficar pronto rápido. Tanto para mim quanto para os meus personagens, assar um bolo dá a satisfação de ter terminado algo.

Qual o seu bolo favorito?

Hmmm... Difícil dizer. Gosto de bolo de morango, bolo amarelo... Gosto de todos os bolos.

Originalmente, não estava nos planos um terceiro livro sobre Lara Jean. E, quando você decidiu escrevê-lo, manteve em segredo, inclusive de sua editora. Por quê?

Queria antes ter certeza de que havia história suficiente para contar. Eu sabia que isso envolveria mais pressão, como se alguém estivesse esperando por mim.

Ainda tem espaço para mais um livro?

Não, agora acabou mesmo. Escrevi esse terceiro livro em parte porque queria agradecer aos fãs, que aceitaram os personagens de coração aberto. A aceitação foi maior do que eu esperava.

 



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