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Bienal do Livro: Educação contra as fake news

As fake news não são um fenômeno isolado e precisam ter sua responsabilidade atribuída a toda a sociedade. Essa foi a concordância e, também, o ponto de partida de mais uma discussão que rolou no Café Literário da Bienal do Livro Rio nesta sexta-feira, 7/9.

Autor de “Você foi enganado”, que trata das inverdades ditas por políticos em busca da eleição, Chico Otávio se mostrou fortemente incomodado com o papel que se estaria atribuindo à mídia por conta da disseminação das fake news. “Eu tenho observado os jornalistas sendo culpados o tempo todo, quando, na verdade, temos um trabalho grande de apuração, somos reativos o tempo todo, e não há um projeto de criminalização das mentiras, porque essa é uma situação generalizada. Eu entrei no jornalismo nos anos 80 e vejo falsas notícias acontecendo sempre. A mentira é um instrumento político no Brasil, há pelo menos cem anos, e ocorre de forma pluripartidária. E a Justiça brasileira tem sido pífia, tomou um vareio no enfrentamento da questão nas eleições do ano passado”, sinalizou.

O jornalista André Fran contou como foi realizar o documentário “Fake news: baseado em fatos reais”, no qual ele e a equipe percorreram os locais que foram cenário da indústria de informações falsas criadas nas últimas eleições presidenciais norte-americanas:

“Temos que entender que o problema vem de diversas formas e de variados lugares. No caso do programa, tentamos traçar uma visão geral do fenômeno da eleição de Donald Trump, nos Estados Unidos, através das farsas contadas por ele para alcançar os objetivos da sua campanha. Passamos pela Rússia, pela França e chegamos à Macedônia, onde encontramos o que o Barack Obama chamou de ‘fábrica mundial de fake news’. Isso porque lá foi criada uma indústria surgida de uma situação econômica adversa: gente jovem, sem dinheiro, sem emprego, mas que entendia de tecnologia. E assim surgiu um método de disseminação de histórias inverídicas que viralizaram e foram utilizadas pela equipe do Trump”, relatou.

Professor de ética e também jornalista, Clóvis de Barros Filho chamou a atenção para os discursos em contraste com o que é desmentido quando observados pela ótica da realidade, mas que por determinados fatores, passam a valer como verdades. “Apesar das novas tecnologias terem conferido uma aparência de igualdade nas manifestações discursivas, nós continuamos vivendo em sociedade e isso significa que ainda temos porta-vozes distintamente autorizados para se pronunciar. Embora eles não tenham total legitimidade, os recursos que possuem podem fazer triunfar uma visão de mundo falsa, como foi o caso do Trump”, alertou o escritor de “Reflexões sobre ética”, “Reputação” e tantas outras obras.

A solução: educação e justiça. “A mentira se combate com a verdade. Desconstruímos a desinformação com informação. É um trabalho longo e cansativo, e precisa fundamentalmente contar com a Justiça, porque as informações falsas usadas com o intuito de manipular as pessoas são um crime”, destacou Chico Otávio.

Leonardo Cazes, mediador da conversa, perguntou ao trio qual seria o ideal de letramento crítico dos jovens com as novas tecnologias, visto que tem sido através delas que as informações falsas ganham proporções imensuráveis. “As escolas têm que preparar os alunos para esse novo mundo do ponto de vista de valores, de reflexão crítica, de respeito aos direitos alheios. Elas precisam ser ativas na  recepção das novas mídias e não permitir que a avidez se insira na sociedade, sob pena de estar formando pessoas em um mundo que já não existe mais”, argumentou Clóvis de Barros Filho.

Segundo André Fran, a sociedade precisa se fortalecer e estar vigilante para não sofrer consequências mais graves, como as ocorridas em ditaduras. “Não há lugar melhor para debater a questão das fake news. Elas afetam a democracia e temos esse exemplo aqui na Bienal, no momento em que o prefeito da cidade, em um governo que deveria ser laico, baseado em uma informação falsa, toma uma medida de censura a uma história em quadrinhos em um dos maiores eventos culturais do país. E é assim que a democracia morre”, sinalizou, ganhando fortes aplausos de uma plateia que lotou o Café Literário.

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07/09/2019

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