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Com humor, mesa discute a intimidade na internet no último dia da Bienal

A exposição da vida privada nas redes sociais foi o tema da mesa “Evasão de Privacidade”, que reuniu o poeta Fabrício Carpinejar e os jornalistas Cora Rónai, Pedro Doria e Elis Monteiro, além de um público com perfil mais jovem que a média, no Café Literário da Bienal do Livro.

A conversa descontraída buscou desvendar a definição de privacidade, em um mundo onde os limites entre íntimo e público estão cada vez mais indefinidos. Carpinejar, que lançou este ano o livro “Minha esposa tem a senha do meu celular” falou sobre a decisão do casal em compartilhar todas as senhas e intimidades: “Ela não invade minha privacidade, porque eu a convidei. Acho que é preciso cuidar das nossas relações. Não vou usar com minhas amigas os mesmos emojis que uso com minha esposa, porque ela é mais importante para mim. Não vou entrar no Instagram de outra mulher e ser mais efusivo do que eu sou com minha esposa. Acho que devemos ser fiéis na vida como um todo. Tem gente que é fiel na vida real, mas online é uma…” e emendou um palavrão, fazendo a plateia gargalhar.

Especialista em tecnologia digital, Pedro Doria lembrou que “evasão de privacidade” foi uma expressão cunhada por Tutty Vasques, ao que Elis emendou: “é quando a gente se expõe por vontade própria”.

Jornalista especializada em tecnologia e fã do Instagram, Cora Rónai opinou que a privacidade é um mito: “Acredito piamente que privacidade não existe. Acho que existiu vagamente em algumas classes sociais na primeira metade do século XX, depois nunca mais. É um conceito de classe média, burguês, do século passado. Com a internet, então, com seu nome e telefone qualquer pessoa pode conseguir todos os seus dados”, argumentou. “Por isso sempre digo: nunca poste nada que não pode sair na primeira página de um jornal.”

Doria fez um paralelo entre compartilhamento da privacidade e amizade real: “Privacidade é o controle que você tem das informações a seu respeito, e a gente precisa disso. Quanto mais informações alguém tem sobre mim, mais próxima essa pessoa é. Geralmente na vida temos 10 pessoas que são muito próximas, incluindo cônjuge, filhos e pais, amigos mais próximos. E são cerca de 150 pessoas apenas próximas, incluindo colegas de trabalho e amigos menos íntimos. Isso não muda com o tempo, o que muda no tempo e na região é o que a gente esconde ou mostra”. Para o jornalista, a questão da privacidade é um dos pontos da nova configuração das relações humanas: “Estamos passando por uma mudança dramática, e um dos pontos é estar perdendo esse controle”.

Em tom crítico, o gaúcho Carpinejar opinou que nas redes, “a gente quer que todo o mundo saiba da nossa vida, mas não queremos saber dos outros. Usamos a vida digital para mostrar o que fazemos, e então não precisar falar com o outro. É uma surdez coletiva.”

Mais otimista, Cora Rónai defendeu o viés “aldeia global” da internet: “Mas acho que a gente usa a vida digital porque temos saudade daquela aldeia de 2 mil pessoas. Quando você mora num grande centro urbano, você não sabe o nome do seu vizinho, do jornaleiro. Existe uma busca das pessoas por dar as informações que antigamente se dizia ao vivo”, alegou.

Os jornalistas falaram sobre o escândalo global da consultoria Cambridge Analytica, que com base em um banco de dados gigantesco vendia como serviço traçar perfis políticos e fazer o marketing de candidatos ou causas, como Donald Trump e o Brexit. Doria opinou que tais ações foram possíveis porque o internauta médio ainda é muito ingênuo: “Agora todo o mundo, até a ‘melhor idade’, está inserido no mundo digital, mas reina uma ingenuidade para perceber que estamos em tribos, e que falamos para nossa tribo.”

A liquidez das relações online também foi comentada. Para Carpinejar, “estamos dizendo pouco e postando muito ‘eu te amo’”. Elis lembrou a facilidade de desfazer relações “em um clique”, o que Cora rebateu lembrando que “na vida real também nos afastamos das pessoas”. Pedro Doria arrematou “Não sei se vocês já passaram por isso, mas já tive um divórcio na era digital. Quando você muda seu status, diz que não está mais casado, ele pergunta na hora: ‘deseja bloquear Fulana?’”. A plateia veio abaixo em gargalhadas.

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10/09/2019

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