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Escritores destacam poder da narrativa para falar de temas ligados ao cérebro 

Em “Para Sempre Alice”, a escritora norte-americana Lisa Genova conta a história de uma professora da Universidade de Harvard conhecida pela incrível memória para guardar referências bibliográficas e informações científicas. Na trama, por ironia do destino, a pesquisadora é acometida por um caso precoce de mal de Alzheimer, e passa, aos poucos, a perder aquela que era uma de suas principais qualidades.

Falar sobre Alzheimer, assim como outras doenças que afetam o cérebro humano, é um desafio para qualquer escritor. Se, por um lado, o funcionamento do cérebro ainda é um mistério sob muitos aspectos, de outro, compreender o que já se sabe sobre o assunto não é tarefa fácil para o leitor não familiarizado com toda a estrutura que envolve a formação do pensamento e a construção das memórias. Então, o que tornou Para Sempre Alice um best seller com mais de 150 mil exemplares comercializados só no Brasil? Uma das justificativas veio da própria autora, que participou, ao lado do neurocientista Sidarta Ribeiro, da mesa Neurociência e Narrativas, pela Bienal do Rio 2019.

Ao público que lotou a Arena #SemFiltro, Lisa Genova disse que, em princípio, não estava em seu planejamento de carreira torna-se uma escritora. Como ela já tinha facilidade com os conceitos relativos ao Mal de Alzheimer, ela acreditava que, ao se dedicar à ficção, teria maior oportunidade de se colocar no lugar das pessoas. “As pessoas têm muito medo das doenças e distúrbios mentais. E há muito estigma sobre elas e acredito que o livro possa acabar com um pouco desses estigmas”, disse a autora norte-americana, que também é neurocientista.

Arena #SemFiltro, Sidarta falou sobre seu mais recente livro, “O Oráculo da Noite”. Na obra, ele também trata de um assunto de domínio restrito entre os cientistas: a dinâmica do sono e dos sonhos. Em comum com a escritora norte-americana, Sidarta buscou um caminho para o tema não ser tratado de forma tão específica, como seria em uma publicação acadêmica. “busquei contar a história humana pelo fio condutor dos sonhos.”

A principal tese do especialista é que o ser humano só conseguiu sair do nível pré-histórico e passar a construir sua própria cultura a partir do momento em que teve não só a capacidade de sonhar, mas de relatar os sonhos. “O desenvolvimento do Capitalismo não é capaz de permitir sonhar com um futuro sustentável. Temos tecnologia para acabar com a fome no planeta, mas, ainda assim, não vemos saída para acabar com a miséria”, diz o cientista.

O sucesso da publicação é reflexo de uma tendência no mercado: livros que abordam problemas de saúde complexos ou dramas de natureza psicológica a partir da história de algum personagem. Foi exatamente essa a estratégia usada por Lisa ao escrever Para Sempre Alice, que virou filme em 2014.

Ao falar sobre o processo de produção do livro, ela ressaltou que, além de ler estudos sobre o assunto, conversa com professores e com familiares e pacientes que sofrem da doença retratada. “Procuro me conectar com eles. É uma grande honra contar as histórias dessas pessoas. Elas se sentem excluídas, estigmatizadas com o diagnóstico. Elas se sentem invisíveis. Ao retratá-las no livro, posso fazer com que sejam vistas e ouvidas novamente”, comenta a escritora norte-americana.

Na medida em que, pela literatura, torna-se possível transmitir um conhecimento maior sobre uma determinada doença para o grande público, abre-se caminho para evitar a permanência até de certos preconceitos. Até porque, segundo Sidarta Ribeiro, em muitos casos, a visão sobre um determinado problema de saúde, em especial os de natureza psicológica, pode ser resultado de uma construção social. Alguns traços de psicose na visão dos dias de hoje, segundo ele, eram comuns nos faraós.

“O que é doença, muitas vezes, muda com o passar do tempo. A Psiquiatria, nos anos 50 e 60, considerava o homossexualismo uma doença”, exemplificou Sidarta.

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08/09/2019

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