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Literatura Arco-Íris: representatividade e resistência

A Arena #SemFiltro dominou e coloriu a Bienal neste sábado, dia 7. Mais de 400 pessoas passaram por ela para conferir a um bate papo formado por jovens e ativistas da democracia e da diversidade. Mediados pelo ator e roteirista Felipe Cabral, seis escritores conversaram com um público ávido por descobrir o que os inspira na arte da escrita e suas estratégias na defesa da pluralidade cultural e sexual neste momento social.

A plateia estava representada por todas as formações, estilos e idades, provando que a Bienal, além de um verdadeiro palco de arte, tem muito amor, pluralidade e respeito – como uma democracia deve ser.

Autor de “Textos cruéis demais para serem lidos rapidamente, Igor Pires esclareceu que começou a escrever para acalmar o coração. “Eu usei a literatura como um meio de sobrevivência, mas hoje eu vejo a escrita como um lugar de resistência”, definiu.

Thati Machado, de ”Poder Extra G”, contou que cresceu consumindo livros, mas que tinha uma sensação de não pertencimento. “Eu não via as gordas homossexuais na literatura, não via as pessoas que, como eu, sentiam-se diferentes. Então eu senti que precisaria mudar o que estava posto. E acabou acontecendo como um processo natural, porque vi na internet um caminho para fazer isso”, destacou.

Colunista de humor e roteirista, Pedro HMC disse que também começou a escrever justamente por não se ver retratado nos livros quando se reconheceu homossexual. “Eu recebia muitas dúvidas no meu canal, então resolvi reunir as principais e fazer o livro para ajudar, porque eu não tive isso. E publicar essa obra, assim como meus colegas, é ver que estamos conseguindo quebrar uma parede que existe inclusive por parte das editoras, que não publicam obras com temática LGBTQA+. Mas acho q estamos conseguindo enfrentar essa onda conservadora. Isso não tem volta”, avaliou.

Com cinco livros publicados e traduzidos no exterior, Vinícius Grossos falou sobre o seu processo de aceitação, inclusive familiar, que passou por questões religiosas. “Eu escrevo muito sobre as relações porque foram questões que me marcaram bastante. Eu enfrentei dificuldades com meus pais, que eu sabia serem pessoas boas, mas tinham atitudes ruins comigo influenciados pela visão da religião.  Eu quero dizer para os LGBTs que todos podemos nos apaixonar e ser felizes. Estamos juntos e não vamos ceder”, salientou.

Vítor Martins, autor de “Quinze dias” e “Um milhão de finais felizes”, arrancou risadas do público quando contou como se via, quando adolescente, como “um gay gordo que estava fadado a morrer sozinho e coberto de Doritos”. “A gente acha que é único e especial, mas somos muito cruéis conosco mesmos. Sinto que escrever é me libertar desses pensamentos ruins todos. Precisamos fazer um exercício constante de empatia para podermos afastar tudo que nos deixa longe da tristeza, do negativo”, contou.

Na ficção “Você tem a vida inteira”, Lucas Rocha trata de um assunto ainda tabu – o HIV. “Eu lia as obras sobre pessoas com aids e notei que elas sempre morriam no final. Só que a realidade não é mais essa, as pessoas não morrem mais pelo vírus. Então, eu senti que tinha que mostrar que o tratamento da doença tinha evoluído, inclusive o Brasil sendo uma referência mundial nesse cenário. Apesar disso, o ponto central da história é a amizade e o apoio que os protagonistas da obra estabelecem entre si”, detalhou.

Ao fim do encontro, visitantes e ativistas se reuniram para uma caminhada nos pavilhões do Riocentro em defesa da arte e da liberdade de expressão e contra a censura. “Não vai ter censura”, bradava o movimento, ao qual se juntavam dezenas de participantes que estavam nos estandes comprando seus livros. O grupo afirmava que a Constituição assegura como direitos fundamentais a liberdade de pensamento e de expressão, da atividade intelectual, artística, literária, científica e cultural. “A Constituição brasileira proíbe censura de qualquer natureza e o município não tem competência para censurar conteúdo de obra literária”, gritavam.

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08/09/2019

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