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Mesa sobre audiolivros reúne Lázaro Ramos, Henrique Vieira e Camila Fremder

Formato de livro narrado em áudio que vem se consolidando como forte tendência no mundo, os audiolivros também começam a ganhar espaço no Brasil. Por isso, o pastor e escritor Henrique Vieira, o ator e escritor Lázaro Ramos e a escritora e influenciadora digital Camila Fremder se reuniram para discutir o assunto, em uma mesa divertida do último dia de Bienal.

Abrindo a conversa com uma fala em que repudiou a tentativa de censura à Bienal, e também toda a perseguição que vem sendo feita no Brasil à arte, à cultura, à ciência e aos jornalistas, a jornalista Flávia Oliveira, mediadora do bate-papo, perguntou aos convidados como foi a experiência de gravar seus audiolivros.

Autora do livro “Adulta sim, madura nem sempre”, Camila Fremder contou ter ficado surpresa com o convite para gravar o formato. Ela lembrou, no entanto, que de início teve a sensação de que fazer podcast seria mais fácil, mas não foi. “Foi muito estranho ouvir a minha voz!”, disse a escritora de 38 anos.

Henrique Vieira, autor de “O amor como revolução”, contou que aos 16 anos teve neurite óptica, uma inflamação nos nervos que atingiu os dois olhos, o deixando “quase cego”. “Até hoje tenho dificuldade de focar na região central da visão, minha visão periférica é bem melhor que a central. Por ter essa condição visual, vejo o audiolivro como ferramenta de inclusão, também como uma possibilidade de chegar a mais pessoas, as que têm dificuldade de ler por alguma condição”.

Depois de agradecer pela presença do público “nesse lugar que agora se torna o templo da leitura”, e ressaltar que “temos o direito de escolher e de ler os livros que quisermos”, o ator Lázaro Ramos contou que ficou em pânico ao escrever “Na minha pele”. “Eu fiquei a um passo de desistir, pensei seriamente em pagar a multa e não publicar, porque é muita exposição, e a gente nunca acha que está bom”. Sobre o processo de gravação, contou que foi ainda mais intimidante: “Quando comecei a ler fiquei muito envergonhado de ler minha própria história, meus sentimentos. A saída que encontrei foi me tratar como mais um personagem. Mas fiquei tão desesperado para terminar aquilo que terminei as gravações em três dias” – contou, arrancando gargalhadas da plateia. Camila Fremder contou que gravou em cinco dias, mas Henrique Vieira disse que levou seis meses, causando novamente o riso geral.

Quanto à fidelidade ao texto, Lázaro contou que alterou várias palavras, já Camila e Henrique, não. “Ah, eu mexi!”, disse o baiano, em tom cômico, ao que o pastor respondeu “Quero mexer também!”, e a plateia explodiu em risadas.

“Quando escrevi o livro, estava casada. Então eu falo ‘meu marido’, ‘meu marido’. Quando fui gravar o audiobook já estava separada. Perguntei ‘vem cá, não posso falar ‘meu ex-marido, não?’ e não deixaram! Então no audiolivro continuo casadíssima, mesmo estando separada”, brincou Camila.

Flávia trouxe outro ponto delicado para a discussão: a invisibilidade de mulheres e de negros entre diretores e roteiristas, e de homens e mulheres negras como protagonistas na ficção. Camila, então, contou sua experiência: “De fato no meio dos roteiristas, direção, a maioria é homem. Mas na literatura, eu comecei a escrever em blogs, e blog era o sentido inverso: eram mais mulheres escrevendo. Mas quando virei roteirista, sim, a primeira coisa que me perguntei foi ‘cadê as mana?!?’. Então no meu podcast, por exemplo, sempre chamo mulheres par falar”.

Henrique contou que se fia muito pela noção do Cristo negro: “O Cristo do Evangelho, que denunciou opressões, sobreviveu a um genocídio só porque José e Maria o levaram para o Egito, ou seja: a Mãe África salvou Jesus”, e citou o teólogo Ronilson Pacheco: “A Bíblia é um livro negro interpretado pelos brancos.” Ainda sobre a invisibilidade, Henrique arrematou “Falar sobre tudo que vivi é empoderar meu lugar no mundo, e é falar sobre esse Cristo negro.”

Em mais uma citação ao episódio de tentativa de censura à Bienal, asseverou: “O que deveria ser inapropriado na vida é o discurso de ódio, não as manifestações de afeto!”, sendo novamente muito aplaudido.

Lázaro contou que começou a escrever “para o menino que eu era, os conselhos que não ouvi, sobre autoestima. Em outro livro (infantil) falei sobre os sentimentos: medo, ciúme. Quando começamos a escrever, escrevemos a partir da falta. Mas essa falta eu quase não tenho mais.”

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10/09/2019

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