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Na Bienal, escritores falam sobre fascínio dos jovens pela Literatura Fantástica

Quando se fala em incentivo à leitura, a primeira indicação dos especialistas é direcionada aos clássicos literários. A orientação não é feita por acaso, afinal, nas obras de escritores como Machado de Assis, Rubem Braga, Carlos Drummond de Andrade, entre tantos outros, é possível ter contato com o que há de melhor na Língua Portuguesa, em termos de estruturação da escrita.

O problema, no entanto, é que essa qualidade estrutural dos clássicos torna a leitura, muita vezes, difícil para o público que está iniciando seu contato com os livros. Uma alternativa do mercado literário que tem atingido em cheio o público jovem é a chamada Literatura Fantástica ou Literatura Contemporânea. Esse gênero tem entre suas características principais a criação de histórias que trazem batalhas épicas, heróis, monstros, universos imaginários e muita aventura.

Três dos principais autores desse gênero literário que faz sucesso com o público juvenil participaram da mesa Mistério, Terror e Fantasia, no último dia da Bienal do Livro 2019. Na Arena #SemFiltro, Karem Soarele, Felipe Castilho e André Vianco falaram sobre os desafios de escrever para o público jovem, de como procuram prender o leitor da narrativa e também do rótulo de “literatura de entretenimento” que alguns especialistas impõem ao formato.

Logo na primeira pergunta do painel, os escritores falaram sobre em quais aspectos o estilo em que escrevem se diferencia dos clássicos literários. Todos concordaram com a importância para o leitor do contato com as obras dos grandes escritores brasileiros e estrangeiros. Mas, ressaltaram que, pelas características que tem, a Literatura Fantástica pode ser mais apropriada para iniciar o jovem no mundo da leitura.

“Falamos a língua que o leitor fala no dia a dia. Quando comecei como escritora, via que muita gente considerava meus livros gostosos de serem lidos. Os leitores achavam legal um livro ter batalhas, monstros mitológicos, ação e aventura.”
O contato com os mais consagrados autores da literatura, em todos os gêneros, é bom para os leitores e também para quem escreve, como destacou André Vianco. Para ele, que se define como um autor com um pé no estilo clássico e outro no contemporâneo, uma das principais contribuições das obras literárias que fizeram história é a de mostrar como atingir o coração do leitor de forma arrebatadora. “Sempre fui conectado com escritores como Henry James, Balzac e eles me ensinaram essa coisa de fazer o leitor ficar louco e ler uma página atrás da outra. E eu amo esse ardil de fazer o leitor ficar comigo, da primeira à última página.”

Uma das maiores qualidades da Literatura Contemporânea, na opinião do escritor Felipe Castilho, é justamente a de propiciar um contato inicial mais agradável do leitor com os livros. “Muitas vezes, somos a primeira impressão com a literatura. E precisamos ser agradáveis para a pessoa não largar. Por isso, creio que uma função importante que nós temos é a de formar leitores”, ressalta Felipe. Ele identifica outra vantagem do formato contemporâneo: a capacidade dos escritores em identificar o que o jovem está querendo ler.

Os escritores também ressaltaram que também é comum rotular a Literatura Contemporânea como histórias comerciais ou de entretenimento. O fato de ter essas características, diz Karen Soarele, não quer dizer que os livros que envolvem fantasia, mitologia, terror e outros ingredientes que agradam os jovens também não possam falar de questões do dia a dia
da juventude.

“Por mais que nossa literatura seja de entretenimento, de fantasia, não é só isso. É sobre viagens, terror, medo, mas também sobre o ser humano. A partir do momento em que a leitura sai do superficial e se aprofunda no texto, é possível ver que, por trás de algumas partes das histórias que contamos, estão questões super importantes e que muitas vezes são complicadas de falar abertamente com o jovem”, comentou a autora de livros como A Deusa do Labirinto, A Joia da Alma e da série Crônicas de Myríade.

A censura do prefeito Marcelo Crivella à venda de livros sobre Literatura LGBTQ+ na Bienal também foi criticada pelos escritores. Ao falar sobre como vê o futuro da literatura, André Vianco ressaltou que a saída é que os autores continuem escrevendo, independente de qualquer tipo de pressão que possam sofrer. “Uma das coisas que temos de pensar é: onde temos errado como seres humanos? Se cada autor falar sobre isso um pouco em cada um de seus livros, vai permitir que almas descansem e possam voltar a lutar.”

Autor de livros como Ordem Vermelha, Serpentário e Desafiadores do Destino, Felipe Castilho também criticou a censura e salientou que a reação do público da Bienal foi a resposta mais contundente e animadora que se poderia dar ao episódio. “Fiquei arrepiado em ver a galera protestando, com livros nas mãos. Não está tão terrível quanto parece. E a maior prova disso é a presença de todos nessa Bienal do Livro”, concluiu o autor.

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10/09/2019

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