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No Café Literário, especialista contestam racismo nas obras de Monteiro Lobato

A obra de Monteiro Lobato, uma das mais consagradas da literatura infantil, há alguns anos tem enfrentado um movimento de releitura à luz das concepções ideológicas do século XXI. Desde 2010, quando um parecer do Conselho Nacional de Educação (CNE) identificou conteúdos que poderiam ser considerados racistas na produção do escritor, especialistas têm se dividido entre aqueles que o condenam e os que saem em sua defesa.

A polêmica também foi abordada na mesa Relendo Monteiro Lobato, com os autores Marisa Lajolo e Pedro Bandeira, uma das atrações desta quinta-feira, 5, no Café Literário. Eles abordaram também as principais características da produção literária de Lobato, curiosidades da vida do escritor e a importância que ele teve para a formação de leitores no país, especialmente entre crianças e jovens.

Ambos lembraram que o autor do Sítio do Picapau Amarelo e outras obras consagradas realmente era adepto de pensamentos racistas. Mas defenderam que este traço da personalidade do escritor não estava presente em suas publicações. “Não se trata de um aspecto unívoco em toda a obra dele”, disse Marisa Lajolo.

Em 2010, um parecer do CNE considerou que a obra Caçadas de Pedrinho tinha conteúdo racista. Como exemplos de trechos que remeteriam à discriminação, estaria uma das menções do autor à personagem Tia Anastácia. Uma das frases do livro diz: “Tia Anastácia, esquecida dos seus numerosos reumatismos, trepou, que nem uma macaca de carvão.”

Reinações de Narizinho, outro clássico de Lobato, também trazia trechos polêmicos. Em um deles, Emília, irritada com a Tia Anastácia, a chama de “negra beiçuda”. Nesse ponto específico, o escritor Pedro Bandeira vê um traço de incoerência da parte de Lobato. Na opinião do autor, uma declaração como essa da Emília só se justificaria se tivesse ouvido ofensas semelhantes de outras pessoas do meio em que ela convive, o que não se vê ao longo da obra. “A mensagem que ficou é que a Emília nasceu com um preconceito que, na realidade, vem da sociedade”, disse o escritor.

Autora de uma biografia de Lobato em primeira pessoa, com base em cartas que ele escreveu, Lajolo chama a atenção para outros aspectos da obra de Lobato que se opõem à ideia de que ele seria racista em seus livros. O personagem do Tio Barnabé, que era negro, não era representado como alguém tratado com desprezo ou preconceito na trama. “Ele também era ex-escravo e era o grande aliado do Pedrinho na caça ao Saci”, ressalta ela, que cita um caso ainda mais emblemático.

“Negrinha é um dos primeiros contos de Monteiro Lobato. É um conto absolutamente anti-escravagista, anti-preconceito, anti-racismo. Na obra, ele faz uma defesa absoluta de uma criança negra que é torturada por uma senhora rica e branca”, destaca a especialista.
Para Bandeira, é injusto ignorar toda a contribuição de Lobato por conta de um traço de sua personalidade, que era o de boa parte dos intelectuais na época: “Todo mundo achava que havia raça no passado. Nas faculdades se ensinava racismo, eugenia. O Brasil era e ainda é um país racista. Com essa coisa do politicamente correto, estamos querendo destruir Lobato por um ponto que não está na obra infantil dele”

Para quem se interessa por discussões que envolvam literatura e questões raciais, o Café Literário terá, no sábado, dia 7, às 11h, a mesa Machado de Assis e a Literatura Negra. Uma das especialistas que participarão do debate é a educadora Conceição Evaristo, mestre em Literatura Brasileira pela PUC-Rio e doutora em Leitura Comparada pela UFF. Também participarão das discussões o escritor e Defensor Público do Distrito Federal José Almeida Júnior, autor de “O Homem que Odiava Machado de Assis; e Eduardo Assis de Andrade, doutor em Letras – Teoria da Literatura e Literatura Comparada – pela USP. Os especialistas discutirão o resgate da negritude do escritor e a importância dessa questão em sua produção literária.

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05/09/2019

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