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O padrão é não ter padrão, decretam influenciadoras, na Bienal

O debate sobre os padrões de beleza agitou a Bienal do Livro Rio, com um time fera e composto pelos biotipos estéticos mais variados e representativos da diversidade brasileira. O papo na Arena #SemFiltro começou em busca de um conceito para o que é ser bela.

“A gente tem que enxergar a beleza como um conjunto. O corpo é só uma parte. Se colocarmos apenas no corpo as expectativas da nossa vida, estamos fadados à frustração”, alertou a atriz Mariana Xavier.

Para a jornalista Luiza Brasil, o belo tem relação direta com os valores de cada um. “A beleza é sobre uma verdade, mas ela nem sempre está no espelho. Ela tem a ver com o que está dentro da gente, com o nosso caráter”, defendeu a fundadora do canal Mequetrefismos, onde também afirma a força da negritude.

Autora de “Modismos”, Carla Lemos ressaltou a origem histórica do padrão estético que definiu na moda a beleza em um corpo magro e branco. “Quem formulou esse modelo foram homens, orientados por uma elite financeira e de pele clara de um passado distante. E nos venderam isso, mas a moda é uma manifestação cultural e trata de histórias. E, assim como existem muitas histórias, a moda é plural”, frisou.

Gordofobia

Ativista não só pela liberdade de expressão, mas sexual e cultural, Alexandra Gurgel, autora de “Pare de se odiar”, falou sobre a aversão aos obesos. “Esse é um problema de privação de acesso social. As pessoas acreditam que os gordos são preguiçosos, desleixados. A pressão estética todo mundo sofre, mas a privação não. Os gordos não conseguem comprar uma roupa, sentar em uma cadeira, prender o cinto do avião sem pedir um extensor”, elucidou.

Questionadas pela mediadora, a roteirista Claudia Sardinha, sobre o papel da moda na desconstrução dos padrões, Carla Lemos explicou que é fundamental fazer um recorte em relação à misoginia. “É mais fácil controlar as pessoas quando se impõe padrões. E, como já dissemos, eles foram feitos por homens de um perfil cultural dominante. A dieta visando a magreza é uma ferramenta de controle, por exemplo. E como moda também é política, a gente precisa colocar mulheres de todos os tipos reconstruindo essa manifestação”, pontuou, com a concordância de Luiza, para quem “a moda vive um momento mais político, com recorte social de raça, gênero, tamanho e classe”.

Mudança de cultura

Mariana Xavier frisou a responsabilidade que ela e outras pessoas de destaque têm no processo de mudança de cultura. “Quando eu sou convidada para uma campanha plus size, eu pergunto se eu sou a única gorda do trabalho. Se eu for, eu não aceito, porque eu não quero estar lá para cumprir uma cota. A gente tem que abrir espaço à  britadeira”, disse.

Diante de perguntas sobre como enfrentar a imposição dos padrões tradicionais e ser você mesmo, Alexandra  fez questão de deixar uma lição de vida para os mais de 400 participantes que lotaram a Arena #SemFiltro: “A gente tem que viver, porque não sabemos o dia de amanhã. Não podemos ficar esperando. Comece agora, não amanhã e nem segunda-feira. É agora!”.

Mariana Xavier fez coro à colega: “Galera, cuidado para não combater uma ditadura impondo outra. Ser bem resolvida não é uma pílula mágica que faz com que você passe a se achar linda e maravilhosa, se achar perfeita e não querer mudar nada. Ser bem resolvido é entender seus pontos fortes e fracos e lidar com eles. Se você tiver vontade de mudar alguma coisa, vai lá e muda”.

Recado para a indústria 

Ainda em processo a passos lentos para uma transformação verdadeira e ampla, que dê lugar a todos os tipos e estilos, com respeito e equanimidade, a indústria da moda foi criticada pela manutenção das modelos claras, de cintura fina e pernas longas. “As empresas precisam mexer em suas estruturas. Não é colocando uma pessoa gorda e uma negra em uma campanha, mas mudando a sua equipe, a sua diretoria, a sua cultura. Indústrias, melhorem!”, bradou Carla Lemos, tendo o efusivo apoio de todas as colegas de papo.

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07/09/2019

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