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Religião e amor pra mexer com as estruturas do mundo
Para evangélico e umbandista, a fé é um processo de coragem e de acolhimento próprio e coletivo

A Bienal do Livro Rio promete e cumpre. Diversidade? Tem! Democracia? Demais. Religião? Como não? Mais um exemplo da amplitude do evento literário ocorreu na Arena #SemFiltro, na mesa Um Encontro Sobre Fé, Diversidade e Amor, com direito a contrastes culturais, mas onde o amor era a base de tudo, com participação do pastor Henrique Vieira e do sacerdote umbandista Alan Barbieri.

A mediadora do encontro, Claudia Alves, chamou a atenção para a similaridade das palavras e das mensagens que constam dos livros de ambos, embora de religiões diferentes, e aproveitou sua apresentação justamente para questionar o papel deles diante de tantos ataques sofridos pelas diferentes crenças.

“O diálogo, baseado no respeito, é a maneira mais eficiente para tentarmos solucionar esses problemas, mas isso tem que partir de nós, lideranças religiosas. Nós temos o compromisso de realizar esse trabalho com as nossas comunidades e reforçar o discurso de paz, de que que cada um tem suas crenças e isso deve ser respeitado”, salientou Barbieri, autor de “Sabedoria de Umbanda – Lições para a vida que aprendi com os guias”.

Em uma reflexão crítica social, Vieira falou sobre os discursos com apelo midiático, com conteúdo discriminatório e racista: “Infelizmente, isso existe, mas eles não representam a totalidade da vivência evangélica. Precisamos corrigir isso, desautorizar os coronéis da fé e lutar para resgatar a história de Jesus Cristo. É absolutamente incompatível com Cristo o discurso de ódio que cresce nos dias de hoje. Eu costumo dizer que se Ele estivesse vivo hoje, seria morto em nome dele mesmo. Na verdade, o Cristianismo precisa de uma grande conversão: se converter a Jesus Cristo!”, frisou o autor de “O amor como revolução”.

Fundador do templo Escola Casa de Lei e Youtuber, Barbieri comemorou a libertação dos seguidores da umbanda. “No passado, era tudo escondido. Os umbandistas não podiam se manifestar, vestir branco ou exercitar publicamente sua religiosidade. Atualmente, para a maioria de nós, isso não é mais problema, a gente tem orgulho de ser umbandista, porque a umbanda é a manifestação do amor de Deus”

A descoberta da religiosidade por ambos surgiu de formas diferentes, mas com um sentimento em comum: o acolhimento e o amor. “Eu me apaixonei pela pessoa de Cristo, pelo seu caráter subversivo, acolhedor, divertido, por aquele que quebrou preconceitos, denunciando o acúmulo de riquezas, pregando o amor, o maior sentimento de todos, que pode transformar a humanidade. Mas também tive dúvidas, porque acredito que a fé é uma aposta. Para mim a espiritualidade é o namoro das dúvidas, já que nela vivemos a potencialidade e a fragilidade da vida”, frisou o pastor da Igreja Batista do Caminho.

Sobre “Sabedoria da Umbanda”, Barbieri explicou que a ideia surgiu de um desejo de ajudar as pessoas a conhecerem e entender a religião. “Ele é uma ferramenta para integrar as pessoas com os princípios da umbanda, que tem uma história linda, sobre a soma das minorias. Ela é a expressão de povos que sofreram desrespeito, escravidão e agressões. Então ela permite a transformação de cada um a partir de um exercício de empatia diário. A obra não é para converter ninguém, é um convite ao conhecimento.”, alertou Barbieri.

A barbárie e a imposição das culturas dominantes também foram abordadas por eles. “O fundamentalismo é a incapacidade de dialogar com quem é diferente. É um fenômeno mundial, não ocorre só no Brasil. Ele escravizou os negros, queimou mulheres na Inquisição, desprezou os saberes dos povos indígenas. Temos que apostar na vida, negar os movimentos de ódio, de desrespeito e, acima de tudo, reafirmar o amor”, disse o pastor, sociólogo por formação.

A mesma mensagem foi dada aos participantes por ambos: há esperança e o amor é o caminho. “Viver tem uma carga dramática, mas o ombro acolhe. Temos que caminhar juntos, acolher e abraçar as pessoas e viver verdadeiramente o que Jesus ensinou: amai-vos uns aos outros. E, parafraseando Gilberto Gil, temos que ter fé, porque a fé não costuma falhar”, apontou.

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05/09/2019

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